Uma fotografia abre uma reportagem sobre a reforma de uma praça. A legenda informa a data da inauguração. A imagem mostra a nova rota sem degraus entre a calçada e o jardim. Se o texto alternativo repete apenas a data, uma parte relevante da matéria desaparece para quem lê por áudio. Escrever texto alternativo para imagens editoriais começa por identificar o papel daquela imagem no ponto em que ela aparece.
Pergunte o que muda quando a imagem é retirada
Leia o trecho com a imagem oculta. O texto continua dando ao leitor os elementos necessários para entender o parágrafo? No exemplo da praça, talvez a matéria já explique a conexão sem degraus. Se o enquadramento demonstra que o percurso passa ao lado da escadaria, isso pode acrescentar uma relação espacial importante. A descrição deve recuperar esse dado. Detalhes sobre pessoas ao fundo só entram se ajudarem a interpretar o que a reportagem está mostrando.
A árvore de decisão para textos alternativos da WAI ajuda a classificar imagens informativas, funcionais, decorativas e complexas. Comece pela função no contexto. Uma fotografia de uma árvore pode ilustrar sem acrescentar informação em uma capa de seção e servir como evidência de uma intervenção em outra página. Decida a partir da combinação de imagem, título, legenda e texto próximo. Esse cuidado é particularmente útil em um CMS que permite reutilizar um arquivo em diferentes matérias.
Escreva a legenda e o texto alternativo em conjunto
Na reportagem da praça, a legenda pode dizer “Praça reaberta em setembro após a reforma do acesso pelo portão sul”. O texto alternativo pode trazer “Uma rampa conecta a calçada ao jardim ao lado da escadaria”. A primeira frase situa o registro no tempo e no lugar. A segunda comunica a informação visual necessária para acompanhar a matéria. Juntas, elas ajudam a entender por que a fotografia foi incluída. Leia as duas na ordem em que o CMS as apresenta para perceber repetições.
Use o que a imagem permite afirmar e o que a equipe já verificou. A fotografia pode mostrar a rampa, mas talvez ela não permita saber se toda a praça ficou acessível. Descreva o percurso visível e deixe avaliações mais amplas para o texto apoiado por apuração. Se o rosto de uma pessoa é visível, só identifique quem ela é quando essa informação for verificada e relevante. Se o gesto importa mais que a identidade, descreva o gesto. O leitor deve receber os dados úteis com o mesmo grau de certeza da reportagem.
Separe decoração, conteúdo e ação
Uma faixa de textura atrás do título pode ser decorativa. Se ela foi inserida como elemento de imagem, um atributo alt vazio permite que seja ignorada na leitura assistiva. A ausência do atributo tem outro significado técnico e pode levar à leitura de um nome de arquivo. Confira como o tema do site trata campos vazios. Alguns editores preenchem a lacuna automaticamente com o nome do arquivo ou com o título do cadastro. Uma decisão editorial precisa chegar ao HTML da página para surtir efeito.
Em um cartão de matéria, a foto pode compartilhar o link com um título visível que já identifica o destino. Nesse caso, avalie a experiência de ouvir o link inteiro e evite duplicar o título. Quando a imagem é o único conteúdo clicável, o nome acessível deve explicar a ação ou o destino. Um ícone de seta que leva a uma galeria tem uma função. Saber que a seta aponta para a direita raramente informa que será aberta uma galeria. Verifique o cartão na página montada, onde é possível perceber se existem links duplicados ou um destino sem nome.
Dê às imagens com dados um equivalente adequado
Imagine que a matéria inclua um mapa com as entradas, os pontos de ônibus e os desníveis da praça. Uma descrição curta pode identificar o mapa e indicar a relação principal. Os dados necessários para planejar o percurso podem aparecer em texto próximo, com rotas organizadas por ponto de partida. Uma pessoa precisa conseguir consultar o trecho que interessa e voltar a ele. Uma descrição longa em um único atributo oferece poucas possibilidades de navegação, especialmente quando contém várias rotas e medidas.
O guia da WAI sobre imagens complexas apresenta formas de oferecer identificação breve e descrição detalhada. Aplique o mesmo raciocínio a um gráfico de uso da praça por horário. A descrição pode destacar a diferença principal, e uma tabela pode expor horários e quantidades. Se a precisão dos valores for importante, publique os números em formato legível e informe unidade e período. Quando o objetivo é comparar tendências, explique o sentido da mudança. Se houver dados ausentes, indique isso no texto equivalente com a mesma clareza da visualização.
Trate montagens e capturas como peças com intenção editorial
Uma sequência de três fotos da obra pode mostrar o mesmo portão antes, durante e depois da reforma. Se cada foto tem uma contribuição diferente, descreva o que mudou em cada etapa. Use termos que façam sentido na ordem de leitura. Se uma montagem reúne as três imagens em um único arquivo, informe a sequência e descreva no texto da matéria as mudanças que merecem atenção. O leitor precisa perceber que está diante de uma comparação e saber qual condição corresponde a qual momento.
Capturas de tela exigem pergunta semelhante. Se a imagem ensina onde encontrar o mapa municipal, descreva a ação no corpo da matéria com os nomes dos controles. Se mostra uma mudança na página, identifique o elemento alterado e explique sua relevância. Na revisão de diagramas e documentos, o artigo sobre estrutura e ordem de leitura em PDFs acessíveis oferece um paralelo. A informação precisa ser percorrida na sequência em que faz sentido, mesmo quando o arranjo visual permite olhar vários elementos ao mesmo tempo.
Planeje como o texto chega à versão publicada
O artigo sobre otimização de imagens para sites trata de formatos, tamanhos e acessibilidade. O processamento de imagens pode criar versões para diferentes larguras. Se essas versões mostram o mesmo conteúdo, a descrição deve continuar adequada. Se o recorte muda o assunto, revise a correspondência. Uma foto ampla da rampa pode perder o trecho da calçada no corte vertical. Nesse caso, reveja a direção de arte ou coloque a informação decisiva no texto visível, onde chega a quem usa qualquer largura de tela.
No fluxo do CMS, determine se o alt pertence ao arquivo de mídia ou à ocorrência na página. Quando só existe um campo global, registre um padrão para reaproveitamento e confirme se o editor permite ajustes por uso. Uma descrição escrita para um guia de mobilidade pode enfatizar o percurso. A mesma foto, em uma matéria de paisagismo, pode destacar a relação entre o jardim e os bancos. Se a equipe não consegue editar por ocorrência, talvez precise complementar o sentido no texto próximo ou escolher uma imagem que cumpra a função com menos ambiguidade.
Revise pela ordem em que a matéria será lida
Faça uma leitura com as imagens visuais indisponíveis e outra com leitor de tela. Passe pelo título, pela abertura, pelas imagens e pelos links. Marque os lugares em que a narração apresenta o mesmo título várias vezes ou perde a relação entre o parágrafo e a figura. Acione os cartões com teclado e confirme se o destino é reconhecível. Depois inspecione o HTML entregue. Verifique se o atributo está presente, se as figuras carregam a descrição prevista e se as legendas continuam como texto selecionável.
Um teste editorial simples usa duas perguntas. O leitor consegue explicar o que a fotografia demonstra? Consegue localizar os dados completos quando a imagem é complexa? Peça que alguém responda usando apenas o texto e os controles. Se a resposta depender de uma suposição sobre o desenho, ajuste a passagem. Revise a matéria de novo depois de trocar imagens, pois a descrição aprovada acompanha uma composição específica. O melhor ponto de partida é a primeira imagem que carrega uma informação ausente do restante da página. Dê a essa informação um lugar claro na leitura e confirme o resultado na página que será publicada.
Crie um ponto de revisão para imagens substituídas
Na pauta da praça, a foto aprovada pode chegar da edição com um novo enquadramento. Antes de publicar, compare a descrição com o arquivo efetivamente carregado. Se a rampa aparece apenas na versão anterior, a equipe pode escolher outra imagem, rever o texto ou explicar o percurso em um parágrafo da matéria. Inclua esse passo na revisão de galeria e de capas reaproveitadas. Quem revisa precisa ter acesso ao arquivo final e ao trecho em que ele será exibido. Essa conferência também evita atribuir à fotografia atual informações que pertenciam a uma figura retirada.
